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Queixas e desconfianças como as de Hamilton são tradição na F1!

As queixas de Lewis Hamilton na sequência do abandono do G.P. da Malásia – afirmando que «algo ou alguém» não querem que ganhe o título deste ano – podem ser notícia, mas não são novidade. Porque lamentos, acusações, insinuações ou desculpas é coisa a que os pilotos de F1 (na sua maioria, campeões do Mundo e pouco habituados a perder) recorrem em momentos de desespero. Curiosamente, sempre que estão envolvidos em lutas com os seus companheiros de equipa e quando o título mundial está à espreita. Ou… quando começa a afastar-se.

Só para lembrar os últimos 30 anos, é forçoso começar por Nigel Mansell. O campeão do Mundo de 1992, piloto corajoso, audaz e velocíssimo, era também o campeão das desculpas. Muitas vezes queixoso de mazelas físicas – quem não se lembra do desmaio a empurrar o Lotus, em Dallas-84, ou da saída do Ferrari agarrado ao pulso, em Spa-90? –, «Il Leone» foi consistentemente mais rápido que Piquet nos dois anos em que foram companheiros de equipa, na Williams/Honda. Essa velocidade, porém, não se traduziu em grande vantagem pontual e, em 1987, depois de uma série de azares que provocaram vários abandonos, Mansell viu Piquet estrear a suspensão activa do FW-11B em Monza e ganhar com facilidade.

Se desde logo justificou o 3.º lugar por o motor Honda denotar falta de potência, chegado ao Estoril, duas semanas depois, juntou a imprensa britânica e aproveitou o tradicional nacionalismo para declarar que seria muito fácil para a Honda favorecer o piloto que os acompanharia no ano seguinte – Piquet seria piloto da Lotus/Honda em 1988 e Mansell ficaria na Williams, mas com motores Judd. Depois de dizer que seria facílimo a um técnico alterar a potência do seu motor carregando num botão, acabou a dizer que não acreditava que isso estivesse a acontecer. Mas denotando que os seus motores não eram tão bons como os do seu rival directo…

«Fast-forward» para 1989 e para o auge da «guerra» Senna-Prost. Mais uma vez, dois campeões a lutar pelo título, na mesma equipa. Mais uma vez, à velocidade pura de um respondia outro com regularidade, inteligência e experiência. Mais uma vez em Monza, reino da potência, as queixas apareceram. Desta feita, quem ganhou foi Prost, depois de Senna desistir com o Honda a partir quando liderava. Mas as queixas vieram do próprio Prost, que acusou a McLaren de favorecer o seu adversário (que ficaria na equipa em 1990, ao contrário do francês, de malas aviadas para a Ferrari), dando-lhe os melhores motores.

Rezam as crónicas da época que a marca japonesa, agastada com a crítica, deixou o então bicampeão do mundo escolher, de entre todos os que tinha disponíveis, os motores que preferia usar nas duas corridas seguintes (Portugal e Espanha)!

Ainda na McLaren, mas quase dez anos depois, a «mãe de todas as guerras» entre companheiros de equipa: de um lado o consagrado bicampeão mundial Fernando Alonso; do outro, o mais brilhante estreante de sempre, Lewis Hamilton. Um, espanhol, latino e jovem. O outro, inglês, ultra veloz e ainda mais jovem. O choque era inevitável e o rastilho começou a arder no G.P. do Mónaco, quando Hamilton «amuou» por lhe pedirem para manter o 2.º lugar e não atacar a liderança do companheiro de equipa (que venceria). Na já a luta era feroz e Alonso acabou penalizado por ter prejudicado Hamilton na qualificação.

Quando se chegou ao G.P. da China, penúltima prova do campeonato, os ânimos estavam tão exaltados que Alonso acusou a equipa de voluntariamente lhe ter dado pneus com a pressão errada para a qualificação e Ron Dennis justificou a estratégia de corrida de Hamilton dizendo que a equipa estava a lutar contra Alonso («we were racing Fernando», no original). Resultado? Para o G.P. do Brasil, a FIA designou um comissário apenas para garantir que o espanhol recebia tratamento justo por parte da sua equipa! Mais importante: Kimi Raikkonen e a Ferrari venceram o título…

Mais dois anos, mais uma queixa. Desta feita o «prejudicado» seria Rubens Barrichello que, depois de liderar o G.P. da Alemanha num Brawn que tinha ganho seis das oito corridas até então disputadas, viu-se relegado para um modesto 6.º lugar final, resultado de duas paragens (para reabastecer e trocar pneus) que o deixaram sempre atrás de pilotos mais lentos. No final da corrida, e depois de ter perdido a guerra das tácticas para o seu companheiro, Jenson Button, também no G.P. de Espanha, o brasileiro queixou-se da tática errada escolhida pela equipa.

A quente, desabafou a uma cadeia de televisão americana que deixaria a equipa britânica se esta favorecesse o colega de equipa, o britânico Button. Mas quando lhe perguntaram se isso tinha acontecido na corrida… negou. Já Ross Brawn foi mais sintético: «Quem faz a 11.ª volta mais rápida da corrida não pode ganhar. Independentemente da estratégia!».


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Acerca do Autor

Apesar de há alguns anos ter abandonado a sua carreira de jornalista no meio automobilístico, nunca perdeu a paixão pela Fórmula 1 que segue desde 1977, tendo coleccionado ao longo de todos estes anos um enorme manancial de histórias verdadeiramente deliciosas sobre a disciplina máxima